Guia de cerâmica para cozinha: escolher revestimentos, louças, panelas, segurança, instalação e marcas confiáveis

cerâmica para cozinha

Lembro-me claramente da vez em que comprei a primeira travessa de cerâmica para meus assados. Era uma peça simples, de um tom terra cozida, herdada de uma feirinha de artesanato. No primeiro uso, o frango saiu suculento, a crosta dourada e a cozinha perfumada — e eu aprendi na prática duas lições valiosas: a cerâmica transforma pratos e ambientes, mas exige conhecimento para durar e ser segura.

Neste artigo você vai aprender, de forma prática e direta, tudo sobre cerâmica para cozinha: tipos (revestimentos e louças), como escolher a peça certa, segurança alimentar, manutenção, instalação e até dicas de receitas e marcas confiáveis. Vou também explicar os porquês por trás de cada recomendação, com exemplos reais da minha experiência.

Por que escolher cerâmica para cozinha?

A cerâmica é versátil: serve como revestimento (pisos e paredes), louças (pratos, travessas, panelas) e peças decorativas. Gosto da cerâmica porque combina estética, durabilidade e capacidade térmica — quando bem escolhida, realça a cozinha e resiste ao uso diário.

  • Durabilidade: revestimentos cerâmicos de boa qualidade resistem a desgaste e manchas.
  • Beleza: texturas e esmaltes trazem acabamento artesanal ou moderno.
  • Sustentabilidade: muitos fabricantes usam processos com reaproveitamento de água e reciclagem de sucata cerâmica.

Tipos de cerâmica para cozinha (revestimentos)

Existem diferenças importantes entre os materiais; entender essas variações evita arrependimentos.

Porcelanato

Mais denso e menos poroso que o revestimento cerâmico comum. Ideal para pisos e áreas molhadas. Alta resistência a manchas e riscos.

Revestimento cerâmico (azulejo)

Ótimo para paredes. Variedade enorme de formatos e acabamentos. Em áreas de muita circulação, prefira peças com baixa absorção de água.

Pastilhas cerâmicas

Muito usadas para detalhes e backsplashes. Visual impactante, mas atenção ao rejunte — ele precisa ser selado corretamente.

Escolhas práticas

  • Para piso da cozinha: porcelanato técnico ou esmaltado com boa resistência ao tráfego.
  • Para parede atrás do fogão: azulejo esmaltado ou pastilha com rejunte antiderrapante e resistente a gordura.
  • Para bancadas: evite cerâmica muito porosa; prefira superfícies seladas ou pedra natural.

Cerâmica culinária: louças e panelas

Louças e panelas de cerâmica (tipo vitrocerâmica, cerâmica refratária ou peças esmaltadas) são excelentes para ir do forno à mesa — além de bonitas, conservam calor por mais tempo.

Tipos mais comuns

  • Terracota (earthenware): mais porosa, requer esmalte; ideal para uso artesanal e cozimento lento.
  • Stoneware (grés): mais resistente ao choque térmico; ótimo para assados.
  • Porcelana culinária: fina, elegante e menos porosa quando bem vitrificada.

Práticas de uso que aprendi na cozinha

  • Não leve cerâmica fria diretamente ao forno quente — aqueça gradualmente para evitar choque térmico.
  • Para indução: cerâmica não funciona sozinha (não é magnética). Procure peças com fundo metálico ou use um disco difusor.
  • Secagem: se guardar peças úmidas, pode aparecer mofo nas junções; mantenha-as bem ventiladas.

Segurança alimentar e esmaltes

Uma preocupação legítima é o uso de metais pesados em esmaltes antigos (chumbo, cádmio). Peças novas de fabricantes confiáveis seguem normas de segurança. Sempre verifique o selo de conformidade e procedência.

Procure produtos com certificação e informações do fabricante sobre contato com alimentos. No Brasil, órgãos como a ANVISA tratam de aspectos de segurança em materiais em contato com alimentos — é uma boa prática checar as normas vigentes e escolher fornecedores reconhecidos.

Marcas e referências que recomendo

Na minha experiência com compras e testes, duas categorias se destacam:

  • Revestimentos: Portobello, Eliane (boas opções com garantia e assistência técnica no Brasil).
  • Louças / panelas: Ceraflame (cerâmica resistente e voltada ao uso culinário), além de peças artesanais locais que costumam durar muito quando bem esmaltadas.

Comprar de marcas com assistência e garantia reduz risco de problemas com esmalte e resistência.

Instalação: o que ninguém te conta

Mesmo a melhor cerâmica precisa de uma instalação correta. Na minha obra, vi bancadas lascando por falta de junta de dilatação e pisos soltos por argamassa inadequada.

  • Substrato: precisa estar nivelado e seco.
  • Argamassa e rejunte: escolha materiais compatíveis com a cerâmica e o ambiente (áreas molhadas exigem argamassa e rejunte específicos).
  • Juntas de dilatação: essenciais para grandes áreas, evitam fissuras.
  • Profissional: recomendo sempre um instalador qualificado para acabamentos e grandes formatos.

Manutenção diária e limpeza

Pequenos cuidados prolongam bastante a vida útil.

  • Limpeza de rotina: água morna e sabão neutro; evite produtos ácidos em rejuntes não selados.
  • Manchas difíceis: pasta de bicarbonato e água aplicada com esponja macia resolve muitas vezes.
  • Evite palha de aço e materiais abrasivos em esmaltes brilhantes.
  • Rejuntes: selar com produtos específicos evita acúmulo de gordura e manchas.

Dicas práticas para comprar (checklist)

  • Verifique o PEI (índice de resistência ao desgaste) para pisos.
  • Peça amostras e veja no ambiente (o tom pode mudar com luz natural).
  • Confirme a absorção de água para saber se a peça é adequada para áreas úmidas.
  • Procure por certificações e garantia do fabricante.

Receitas rápidas para testar suas peças de cerâmica

Algumas receitas simples testam a capacidade térmica e realçam o visual da peça:

  • Frango assado na travessa de cerâmica: tempere o frango, asse lentamente a 180 °C; a cerâmica mantém suculência e aquece a mesa.
  • Legumes gratinados: berinjela, abobrinha e tomate com azeite e queijo gratinado direto na caçarola.
  • Pequenas lasanhas individuais: funcionam bem em ramequins de porcelana.

Mitos e verdades

  • Mito: “Cerâmica sempre lasca fácil.” — Verdade parcial: peças de baixa qualidade ou instalação ruim lascam; peças de grés/porcelana bem instaladas têm alta resistência.
  • Mito: “Cerâmica é fria ao toque.” — Depende: peças muito densas e escuras absorvem calor; travessas retêm calor por mais tempo.
  • Verdade: “Peças artesanais podem ter variação de cor.” — Isso é parte do charme, mas exija informações do oleiro sobre segurança de esmaltes.

Conclusão rápida

Cerâmica para cozinha é um investimento que mistura estética e função. Escolha materiais certificados, instale corretamente e cuide das peças com rotinas simples de limpeza. Assim você terá beleza e durabilidade por muitos anos.

Perguntas frequentes (FAQ)

1. Cerâmica risca fácil?
Depende da dureza do esmalte; porcelanatos técnicos têm alta resistência a riscos.

2. Posso usar cerâmica diretamente na chapa de fogão?
Não; evite contato direto com chama. Para indução, use discos difusores ou peças com base metálica.

3. Como identificar peças seguras para alimentos?
Procure selo do fabricante, especificação “próprio para uso alimentar” e, no Brasil, informações que remetam a conformidade com normas técnicas e órgãos reguladores.

Conselho final

Se há algo que aprendi em 10 anos acompanhando projetos e cozinhando muito: a cerâmica transforma a experiência de cozinhar e receber. Invista em qualidade, trate bem suas peças e permita que a cerâmica conte a história da sua cozinha.

E você, qual foi sua maior dificuldade com cerâmica para cozinha? Compartilhe sua experiência nos comentários abaixo!

Fonte de referência recomendada: Associação Brasileira da Indústria de Revestimentos Cerâmicos (ABICER) — https://www.abicer.org.br/


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